quarta-feira, 21 de maio de 2008

'A serenata'

"Uma noite de lua pálida e gerânios

ele viria com boca e mãos incríveis

tocar flauta no jardim.

Estou no começo do meu desespero

e só vejo dois caminhos:

ou viro doida ou santa.

Eu que rejeito e exprobro

o que não for natural como sangue e veias

descubro que estou chorando todo dia,

os cabelos entristecidos,

a pele assaltada de indecisão.

Quando ele vier, porque é certo que vem,

de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?

A lua, os gerânios e ele serão os mesmos

— só a mulher entre as coisas envelhece.

De que modo vou abrir a janela, se não for doida?

Como a fecharei, se não for santa?"

Adélia Prado

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Este poema é lindo, né?

Já tinha lido antes, mas sem saber que era da Adélia. A razão de eu ter colocado aqui, hoje, é porque li a crônica da Marta Medeiros, que citava partes do poema acima... Mas, infelizmente, estava num consultório médico e não tinha meios para copiar!

Procurei pela internet e nada... Se achar a crônica, vou trazer correndo para cá. Acho que vocês irão adorar, assim como eu!

3 comentários:

Cris Ambrosio disse...

É essa aqui? http://perfildemulher.blogspot.com/2008/05/eu-quero-ser-martha-medeiros.html

Ah, respondi o meme ;)

Andrea Drewanz disse...

É essa daí...
Valeu Cris, fico te devendo uma!
Bj

Carol Arêas disse...

Adélia e Marha Medeiros, duas almas encantadas!