domingo, 23 de setembro de 2007

Arrumando a casa

A casa está cheia novamente! Meu marido está de volta... e com ele vieram todas as minhas encomendas e das crianças também. Sinceramente, não sei porque pedi tanta coisa!
É lógico que adorei todas as novidades, e confesso, acho que nem se tivesse viajado sozinha teria trazido tanta coisa como ele trouxe. Mas fiquei pensando porquê a gente (eu, principalmente) é tão consumista. Ainda mais quando viajamos. Que necessidade é essa?
Agora, já estou aqui doidinha procurando lugar para guardá-las. Não tem mais armário para enfiar os brinquedos novos, muito menos os antigos. E o que é pior, não acho a mínina graça em ter que arrumar e organizar armários e gavetas, mas enfim, é a vida.
Para começar tenho uma dificuldade enorme para me desfazer das coisas. Não sei o que é... Penso sempre que elas fazem parte da minha história, me acompanharam em algum momento importante. Então fica sempre muito difícil saber que destino darei a elas. Quero, juro para vocês, começar a ser mais desprendida, mas não consigo agir assim tão facilmente. É um sacrifício que me imponho, mas sempre saio ferida.
É como emprestar livros. Odeio. Acho que livros não devem ser emprestados ( a não ser no caso das bibiliotecas). Ou você compra e guarda ou não lê. Amo meus livros e cuido com carinho deles... e é sempre doloroso ter que emprestá-lo. É como se eles fossem filhos que a gente vê nascer e crescer. A gente acaba tendo uma história em comum. O momento em que se faz a escolha, a compra e a leitura propriamente dita... Todo um contexto, que fica gravado na memória de cada pessoa. Cada livro tem sua história. Muitas vezes a gente muda de opinião sobre determinada leitura, quando relê tempos depois. Comigo já aconteceu... acho que foi com o livro "A Língua Absolvida", de Elias Canetti. Achei cansativo e demorado, mas alguns anos mais tarde peguei ele para ler um trecho e me vi diante de uma obra espetacular. Percebi que não estava preparada para ler naquela época. De vez em quando ainda faço isso. Vou lá na estante, dou uma folheada, leio um trecho inspirador. É tão bom saber que o livro está ali, sempre ao meu alcance.
Até porque, não gosto de emprestá-lo porque sei que quase sempre o pedinte irá se esquecer de devolvê-lo. Pelo menos comigo é o que sempre acontecia. Sim, porque não acontece mais. Parei com esta história de emprestar.
Posso ser egoísta, controladora, mesquinha, mão de vaca, o que for... uma coisa é certa. Parei de fazer aquilo que não gosto só para agradar aos outros.

Um comentário:

annix disse...

Eu só empresto livros pra Beth, porque eu sei que ela devolve, hahaha. De resto eu também prefiro mantê-los bem aqui debaixo da asinha.
:) Concordo também que certos livros têm de ser lidos na época certa.
Quanto a aprender a ser desapegada, nada como se mudar de um lugar espaçoso pra um com um terço do tamanho... :-/
:-****