terça-feira, 11 de setembro de 2007

Não consigo esquecer

NY ( antes e agora)

Hoje é 11 de setembro e passados seis anos da tragédia em NY, ainda não consigo passar por este dia sem pensar no que ocorreu. O mundo parou para ver e acompanhar pela televisão as imagens chocantes que surgiam a cada segundo. Era uma avalçanche de informações...Vindas de várias fontes... Ninguém sabia ao certo o que significava aquele avião ter entrado numa das torres gêmeas. Seria algum erro na rota do avião ou erro do piloto?

Me lembro de estar na sala da meu apartamento da Urca e de repente ouvir aquela musiquinha tradicional do plantão da Globo. Vi que boa coisa não era. Entrou o apresentador Carlos Nascimento, ao vivo, falando de um acidente numa das torres de Nova York. Ao seu lado aparecia um quadro da CNN com a imagem em tempo real do fogo consumindo os andares do prédio, que tinha acabado de ser atingido. Enquanto Nascimento tentava encontrar uma explicação convincente para explicar o acidente, o mais improvável aconteceu... Lentamente, começou a aparecer no vídeo outro avião...ele parecia fazer um curva em torno do prédio em chamas.
Lembro até de ter comentado. "O avião deve estar indo opferecer ajuda"... Nem bem terminei a frase e outra explosão acontece. Pensei que era no mesmo prédio, mas não. Agora era na outra torre! Até o apresentador da Globo se confundiu com as torres e achou que se tratava da mesma. Entra então um link direto da CNN, com tradução simultânea. A explicação era a pior possível. Era outro avião comercial, com dezenas de pessoas a bordo que se chocava com a outra torre.

Logo em seguida, veio uma jornalista dizer que um ataque havia acontecido também no pentágono. Caos aéreo? Não poderia ser. Guerra? Também não. Terrorismo! Mas quem? Por que? Só depois de uma hora, eu acho, é que começaram as especulações sobre o que teria provocado estes acidentes em série.

-"É o fim do mundo", lamentei.
- "Poxa, não pode ser o fim do mundo agora. Meu filho tem só um ano!". Olha que atitude mais egoísta... Com tanta gente morrendo, sofrendo e eu lá preocupada com a vida de meu filho. Não preciso nem dizer que chorei muito durante toda a cobertura da tragédia. Fiquei acompanhando tudo por horas a fio. Não tinha o que me tirasse dali. Ficava imaginado aquele povo todo correndo pelas ruas de NY, sem saber para onde ir ou o que pensar.
Nestas horas, a gente se torna tão impotente, que dá raiva não poder ajudar. As notícias chegavam em primeira mão e muitas aconteciam no meio do olho do furacão. Nem consigo imaginar a adrenalina que corria nas veias de cada jornalista, policial, bombeiro, médico e outros
profissionais que participaram do resgate às vítimas.
Acho que foi a maior cobertura jornalística já vista em nosso planeta. Quem estava lá, ou em qualquer parte do mundo acompanhou tudo com os mesmos olhos, a mesma emoção e o mesmo pesar. Foram horas de angústia e de preocupação que se arrastaram por dias e semanas.
E até hoje ficaram gravadas em mim... nunca serei capaz de apagar esta experiência.

Acho que fiquei marcada por esta tragédia porque tinha estado em NY um ano antes de tudo acontecer. Conheci a cidade de norte a sul/leste a oeste. Fizemos vários passeios, inclusive a tradicional subida ao topo das torres do World Trade Center. E de lá cima, você percebe e sente que não é nada. Apenas um pontinho na multidão.

Bem, a cidade e os moradores de Nova York conseguiram virar a página e superar as marcas da tragédia. Alguns mais outros menos, mas a verdade é que a vida continuou e tem que continuar...

Como disse São Francisco de Assis: "Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível ".

Um comentário:

Antonio Fontelles disse...

11 de setembro é uma daquelas datas, que a gente vai sempre se lembrar, o que estava fazendo naquela hora exata. Eu me lembro que estava caminhando pelo centro de Amsterdam, daí parei em um fone de rua pra ligar pro Brasil, e foi o meu pai que me deu a notícia, tinha acabado de ver na televisão. Eu corri para a biblioteca da Universidade que era do lado, me sentei em frente ao computador e acompanhei o resto da tragédia via internet.
Dizer que foi horrível é redundante. E todas as mudanças para pior que aconteceram no mundo desde então, são lamentáveis. Um consolo: a vida nos mostra que sempre há o dia de amanhã, mesmo com os piores acontecimentos. O que aconteceu ontem não pode mais ser mudado. Mas o amanhã sempre vai existir, com ou sem tragédia, e o amanhã, só depende de nós.